A raça de ovinos Morada Nova, primeiramente descrita pelo zootecnista Otávio Domingues, durante viagem pelo então Departamento Nacional de Produção Animal, em 1937, ao município de Morada Nova/CE, é uma das principais raças nativas de ovinos deslanados do Nordeste do Brasil.

Explorados para produção de carne e pele, sendo esta muito apreciada no mercado internacional, os animais da raça Morada Nova apresentam pequeno porte e boa adaptação às condições climáticas do semi-árido, tornando-se importantes componentes produtivos nas pequenas propriedades, onde constituem fonte de proteína na alimentação da população rural. Além disso, a raça apresenta boa prolificidade, muito importante para os sistemas de produção de carne ovina e que não é comumente observada em outras raças nativas do Brasil.

A raça Morada Nova apresenta, ainda, elevado valor adaptativo às condições de produção do semi-árido nordestino, sendo capaz de apresentar elevadas taxas de fertilidade, mesmo sob condições pouco favoráveis. Portanto, a raça Morada Nova se constitui em importante material genético para o produtor rural do Nordeste brasileiro. Somando-se o baixo tamanho adulto e a boa habilidade materna às características já citadas, pode-se dizer que a Morada Nova é uma raça materna por excelência, representando importante recurso genético para utilização em sistemas de produção de carne ovina em todo o Brasil.

FONTE: REDE MORADA NOVA (www.cnpc.embrapa.br/redemoradanova)

 

Padrões Raciais

ORIGEM

As raças primitivas de arietinos (ovinos descendentes do "Ovis aries") parecem possuir genes para a produção de lã e genes para a produção de pêlos (ou fibras meduladas). Portanto as raças de formação mestiça, como o BORDALEIRO de Portugal, apresentam a possibilidade de gerar ovinos deslanados, quando os seus descendentes forem submetidos a uma seleção natural num ambiente impróprio para o desenvolvimento da lã, como é o caso do Nordeste brasileiro, onde o ambiente dificultou a disseminação dos ovinos portadores de uma capa de lã (velo), enquanto que favoreceu aqueles despojados dela (os deslanados) e portanto recobertos de pêlos. Segundo Otávio Domingues, que pesquisou a origem dos deslanados do Nordeste, e que os denominou de DESLANADOS DE MORADA NOVA, estes formavam uma população descendentes do BORDALEIRO de Portugal, particularmente do BORDALEIRO CHURRO. Dessa maneira, tanto a variação genética com a ação seletiva do ambiente quente e seco do Nordeste agiram no sentido desfavorável a formação de lã, e favorável a multiplicação e vitoria dos indivíduos deslanados. 

ASPECTO GERAL

Animais deslanados, mochos, de pelagem vermelha ou branca; machos com 40/60 Kg; fêmeas adultas com 30/50 Kg.

CABEÇA

- Larga, alongada, perfil sub-convexo, focinho curto bem proporcionado, orelhas bem inseridas na base do crânio e terminando em ponta; olhos amendoados.

PESCOÇO

- Bem inserido no tronco, com ou sem brincos.

CORPO

- Linha dorso-lombar reta, admitindo-se ligeira proeminência de cernelha nas fêmeas.
- Garupa curta com ligeira inclinação.
- Cauda fina e média; não passando dos jarretes.

MEMBROS

- Finos, bem aprumados, cascos pequenos e escuros.

PELAGEM

- De acordo com a variedade.

a)Variedade Vermelha - Pelagem vermelha em suas diversas tonalidades; cor mais clara na regiãio do períneo, bolsa escrotal, úbere e cabeça. A presença de sinais pretos não desclassifica. Pele escura, espessa, elástica e recoberta de pêlos curtos, finos e ásperos. Mucosa escura. Cauda com ponta branca.

b)Variedade Branca - Pelagem branca, sendo permissíveis mucosas e cascos claros. Pele escura, espessa, elástica e resistente.

APTIDÕES

- Produção de carne e peles de alta qualidade. Ovelhas muito prolíferas.

ADAPTAÇÃO

- Ovelhas muito rústicas que se adaptam às regiões mais áridas; desempenha importante função social fornecendo alimentos protéicos às populações rurais destas regiões.

DEFEITOS

- Pelagem atípica, descaracterizada;
- Manchas de qualquer cor, sobre as pelagens branca ou vermelha;
- Pêlos atípicos;
- Mucosas e cascos despigmentados;
- Pele excessivamente fina;
- Constituição débil;
- Má conformação e aprumos defeituosos;
- Presença de chifres;
- Barba e toalha (babeiro);
- Orelhas grandes e pendentes;
- Má formações bucais (prognatismo, retrognatismo);
- Lordose, cifose e escoliose;
- Cauda excessivamente grossa, curta ou mais de 25% de cor branca;
- Criptorquidia, monorquidia, hipoplasia ou acentuada assimetira testicular.

FONTE: A.R.C.O. - Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (www.arcoovinos.com.br)

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